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Cinco pessoas são encontradas degoladas em casa no México

Membro do serviço forense examina faca na cena do crime, no México (Foto: Hector Guerrero/AFP)Membro do serviço forense examina faca na cena do crime em Zapopan, no México (Foto: Hector Guerrero/AFP)

Um casal, seus dois filhos adolescentes e um amigo deles foram encontrados degolados na manhã deste domingo (8) em casa, no município mexicano de Zapopan, de 1,2 milhão de habitantes, informou o comandante da polícia local.
Na residência, policiais encontraram "os corpos de cinco pessoas, dois adultos e três menores", que foram degolados, descreveu o comandante Ernesto Ramos.
Vizinhos contaram que ouviram gritos vindos de dentro da casa, e que, em seguida, uma caminhonete deixou a residência em alta velocidade.
Os corpos dos adultos estavam na sala, e os demais, nos quartos. Segundo a imprensa, a renda da família vinha da venda de frutas.
Os adultos tinham 36 e 32 anos; os filhos, 14 e 16; e o amigo da família, 15.
A cidade de Zapopan é vizinha a Guadalajara, a segunda maior do país e cenário recorrente da violência gerada pelo narcotráfico.
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Petrobras foi alvo de espionagem de agência dos EUA, aponta documento


Novos documentos classificados como secretos e que vazaram da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, obtidos com exclusividade pelo Fantástico, mostram que a Petrobras, quarta maior petroleira do mundo, também foi espionada.
(veja o vídeo ao lado)
A reportagem exibida neste domingo (8), aponta que a rede privada de computadores da estatal brasileira foi invadida pela NSA, informação que contradiz a posição oficial da agência, dada ao jornal "The Washington Post", onde afirmou não fazer espionagem econômica de nenhum tipo, incluindo o cibernético.
Os dados sobre a empresa estão em documentos vazados por Edward Snowden, analista de inteligência contratado pela NSA, que divulgou esses e outros milhares de registros em junho passado. O jornalista Glenn Greenwald foi quem recebeu os papéis das mãos de Snowden. A Petrobras não quis comentar o caso. A NSA nega espionagem para roubar segredos de empresas estrangeiras.
Na última semana, o Fantástico já havia divulgado que a presidente Dilma Rousseff e o que seriam seus principais assessores foram alvos diretos de espionagem da NSA.
O novo documento é uma apresentação que recebeu a classificação "ultrassecreta" e que foi elaborada em maio de 2012, para ensinar novos agentes a espionar redes privadas de computador – redes internas de empresas, governos e instituições financeiras e que existem, justamente, para proteger informações.
O nome da Petrobras, a maior empresa do Brasil, aparece logo no início do documento mostrado pelo Fantástico, com o título “Muitos alvos usam redes privadas”.

Não há informações sobre a extensão da espionagem, nem se a agência americana conseguiu acessar o conteúdo guardado nos computadores da empresa. O que se sabe, segundo a reportagem, é que a Petrobras foi alvo de espionagem, mas não há informações a respeito dos documentos que a NSA buscava.

Este tipo de informação é liberada apenas para quem os americanos chamam de “Five eyes” (cinco olhos, na tradução literal), termo utilizado para se referir aos cinco países aliados na espionagem: EUA, Inglaterra, Austrália, Canadá e Nova Zelândia.
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Google e governo da França também foram vítimas
O nome da Petrobras aparece em vários slides. Além da estatal, estão listados também como alvos da NSA a infraestrutura do Google, o provedor de e-mails e serviços de internet da companhia. A empresa, que já foi apontada como colaboradora da agência norte-americana, desta vez aparece como vítima.
As redes privadas do Ministério das Relações Exteriores da França e da Swift (Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Globais, na tradução do inglês), cooperativa que reúne mais de 10 mil bancos de 220 países, também foram analisadas. Qualquer remessa de recursos que ultrapassa fronteiras nacionais necessita ser analisada pela Swift.
Nomes de outras empresas e instituições que também passaram por espionagem foram apagados para não comprometer operações que, segundo a reportagem, envolvam alvos ligados ao terrorismo.

Para cada alvo há uma pasta que reúne todas as comunicações interceptadas e os endereços de IP – a identificação de computadores ligados à rede privada – que deveriam estar imunes a esses ataques.
De acordo com Greenwald, esses documentos trazem informações de segurança nacional que não devem ser publicadas, por isso os vetos aos nomes. “Ninguém tem dúvida que os Estados Unidos, assim como todos os outros países, têm direito de fazer espionagem para garantir a segurança nacional. Mas tem muito mais informações (...) sobre espionagem contra inocentes ou contra pessoas que não têm nada a ver com terrorismo ou questões industriais”, explica.
Snowden Cronologia (6/9) (Foto: Editoria de Arte / G1)
Espionagem pode ter durado muito tempo
De acordo com Paulo Pagliusi, doutor em segurança da informação e autor de um livro sobre o tema, todas as redes privadas apresentadas nos documentos da NSA exibidos pelo Fantástico são de empresas reais, não são casos fictícios.

“Tanto é que tem algumas coisas que chamam a atenção. Por exemplo, havia alguns números que estavam tapados. Por que eles estariam tapados se não fosse um caso real e não queriam que os alunos tivessem conhecimento”, questiona o especialista. Ainda segundo Pagliusi, tais informações podem ter sido obtidas no decorrer de um longo período, com a ajuda de um sistema de espionagem “muito eficaz”, que gera um resultado “muito poderoso”.
Segundo a reportagem do Fantástico, o faturamento anual da Petrobras é de mais de R$ 280 bilhões, maior do que a arrecadação de muitos países. A estatal brasileira tem ainda dois supercomputadores utilizados para as chamadas pesquisas sísmicas, que avaliam as reservas de petróleo a partir de testes feitos em alto mar. Com esta tecnologia a empresa conseguiu mapear o pré-sal, a maior descoberta recente de novas reservas de petróleo no mundo.
A rede privada de computadores da empresa também guarda informações estratégicas associadas a negócios que envolvem bilhões de reais. Por exemplo, detalhes de cada lote de leilão marcado para outubro, que é a exploração do Campo de Libra, na Bacia de Santos, parte do pré-sal.
Segundo Roberto Villa, ex-diretor da Petrobras, o leilão de Libra é o maior da história do petróleo. “É um leilão de uma área que já se sabe que tem petróleo, não tem risco. [Se essa informação vazou], alguém vai ter vantagem. Eventualmente, se essa informação vazou e alguém dispõe dela, ele vai numa posição muito melhor no leilão. Ele sabe onde carregar mais e onde nem carregar. É um segredinho bom”, explica Villa.
Para Antônio Menezes, também ex-diretor da estatal brasileira, o possível vazamento de informações sobre o campo do pré-sal é muito grave e impactaria o mercado internacional. “Comercialmente, o efeito internacional disso aí é de uma concorrência com carta marcada pra alguns lugares, alguns países, para alguns amigos”, disse.
Questionado pela reportagem sobre quais informações sigilosas da Petrobras poderiam ter sido procuradas, Adriano Pires, especialista em infraestrutura, disse que, se fosse espião, buscaria principalmente aquelas ligadas à tecnologia de exploração de petróleo no mar.

“A Petrobras é a [empresa] número um no mundo em explorar petróleo no mar. E o pré-sal existe em qualquer lugar do mundo: na África, no Golfo americano, no Mar do Norte. Então, se eu detenho essa tecnologia, posso tirar [petróleo do] do pré-sal onde eu quiser”, afirma o especialista.
Como funciona
Na apresentação da Agência de Segurança Nacional dos EUA, aparecem documentos preparados pela Agência de Espionagem da Inglaterra, aliada dos americanos em questões de espionagem.

Os registros feitos pelos ingleses mostram como funcionam dois programas: “Flying Pig” e “Hush Puppy”, que monitoram as redes privadas por onde trafegam as informações que deveriam ser seguras. Essas redes são conhecidas pela sigla TLS/SSL.
As redes TLS/SSL são também o sistema de segurança usado em transações financeiras, como, por exemplo, quando alguém acessa seu banco por um caixa eletrônico. A conexão entre o ponto remoto e a central do banco trafega por uma espécie de túnel protegido na internet: o que passa por ele ninguém poderia ver.
A apresentação da NSA explica ainda como a interceptação das informações é realizada. De acordo com o documento, a espionagem é feita por meio de um ataque à rede de computadores conhecido como “man in the middle” (ou homem no meio, na tradução do inglês). Nesse caso, os dados são desviados para a central da NSA e, depois, chegam ao destinatário, sem que ninguém fique sabendo.
Os documentos divulgados por Snowden também listam os resultados obtidos na espionagem. Segundo a reportagem, com o sistema de espionagem, a NSA encontrou dados de redes de governos estrangeiros, companhias aéreas, companhias de energia, como a Petrobras, e organizações financeiras.

A apresentação da NSA mostra ainda, com detalhes, como os dados de um "alvo" escolhido por eles vão sendo desviados, passando por filtros de espionagem desde a origem, até chegar aos supercomputadores da agência norte-americana.
Em um dos registros divulgados por Snowden e obtido pelo Fantástico, a NSA diz que a América Latina é alvo chave do programa “Silverzephyr”. O programa registra metadados, o total de informações que trafega na rede, e o conteúdo de gravações de voz e fax.
Dilma cobrou explicações de Obama
No último domingo (1º), o Fantástico mostrou como a presidente do Brasil foi alvo direto de espionagem (veja vídeo ao lado). Na última quinta-feira (5), Dilma se reuniu com o líder político norte-americano, Barack Obama, durante o encontro dos 20 países mais desenvolvidos do mundo (o G-20), na Rússia, e cobrou explicações.
“O que eu pedi é o seguinte: eu acho muito complicado ficar sabendo dessas coisas pelo jornal. Eu quero saber o que há. Se tem ou não tem, eu quero saber. Tem ou não tem? Além do que foi publicado pela imprensa, eu quero saber tudo que há em relação ao Brasil. Tudo. Tudinho. Em inglês, everything", disse Dilma a jornalistas.

Na última sexta-feira (6), Dilma afirmou que Obama se comprometeu a dar explicações sobre as denúncias de espionagem dos EUA até a próxima quarta-feira (11).

"O presidente Obama declarou para mim que assumia a responsabilidade direta e pessoal pelo integral esclarecimento dos fatos e que proporia para exame do Brasil medidas para sanar o problema. Diante do meu ceticismo devido à falta de resultados do encontro entre o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o vice-presidente [Joe] Biden, ocorrido semana passada, o presidente Obama me reiterou que ele assumia a responsabilidade direta e pessoal tanto para a apuração das denúncias como para oferecer as medidas que o governo brasileiro considerasse adequadas", declarou a presidente na Rússia.
Dilma afirmou ter dito a Obama que a questão não era de "desculpas", mas de uma solução rápida. Segundo ela, estabeleceu-se a próxima quarta-feira como prazo para uma resposta. "Como eu disse que esse processo era um processo lento, que não queria esclarecimentos técnicos, nao era só uma questão de desculpas,era uma questão de não admissão desse nível de intrusão, e que era importante que fosse solucionado com rapidez, chegou-se a uma data, quarta-feira", afirmou Dilma.

Quebra de criptografia
A reportagem do Fantástico mostra ainda que no dia em que a presidente e Obama se encontraram, reportagem publicada simultaneamente por dois grandes jornais – o inglês “The Guardian” e o americano “The New York Times” -- , revelou que a NSA e a GCHQ inglesa quebram os códigos de comunicações protegidas de diversos provedores de internet, podendo assim espionar as comunicações e transações bancárias de milhões de pessoas.
O texto mostrou que a criptografia, o sistema de códigos que é fornecido por algumas operadoras de internet, já vem com uma vulnerabilidade, inserida propositalmente pela NSA, e que permite que os espiões entrem no sistema e até façam alterações, sem deixar rastros.
Há também sinais de que alguns equipamentos de computação montados nos EUA já saem de fábrica com dispositivos de espionagem instalados. O “New York Times” diz que isso foi feito com pelo menos um governo estrangeiro que comprou computadores norte-americanos. Mas não revela qual governo pagou por equipamentos para ser espionado.

Outro lado
A NSA enviou nota afirmando que não usa sua capacidade de espionagem para roubar segredos de empresas estrangeiras. Questionada pelo Fantástico sobre o motivo de ter espionado a Petrobras, a agência norte-americana informou que isso é tudo o que tem a dizer no momento.

Após a exibição da reportagem no Fantástico, uma segunda nota de imprensa, desta vez assinada pelo diretor nacional de inteligência dos Estados Unidos, James Clapper, foi enviada pela Agência de Segurança Nacional.
O órgão do governo americano alega coletar informações econômicas e financeiras para prevenir crises que possam afetar os mercados internacionais.

No entanto, reafirmou que não rouba segredos de empresas de fora dos EUA que possam beneficiar companhias americanas. A Embaixada Britânica em Brasília e o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido informaram que não comentam assuntos de inteligência.

Ministro egípcio do Interior é vitima de atentado no Cairo

Imagem feita a partir da TV estatal egípcia o mostra ministro do Interior egípcio Mohammed Ibrahim respondendo a um repórter depois de uma explosão no Cairo (Foto: TV estatal egípcia/ AP)Imagem feita a partir da TV estatal egípcia o mostra ministro do Interior egípcio Mohammed Ibrahim respondendo a um repórter depois de uma explosão no Cairo (Foto: TV estatal egípcia/ AP)
O ministro egípcio do Interior, Mohammed Ibrahim, sobreviveu a um atentado com carro-bomba nesta quinta-feira (5) na passagem de seu comboio no Cairo, informaram fontes das forças de segurança.
"O ministro do Interior sobreviveu a uma tentativa de assassinato", afirmou uma fonte, que pediu anonimato.
A explosão do veículo aconteceu na passagem do comboio do ministro por uma área próxima de sua residência, em Nasr City. Vários civis ficaram feridos e algumas lojas foram atingidas, segundo a agência oficial "MENA".
Ibrahim denunciou na televisão uma "tentativa de asassinato covarde".Duas horas depois da explosão, Ibrahim afirmou que quatro veículos de seu comboio foram destruídos e citou város feridos no atentado.
O governo egípcio prometeu atacar o terrorismo com "mão de ferro".
"O gabinete insiste que este ato criminoso não vai impedir o governo de enfrentar o terrorismo com força e determinação', afirma um comunicado.
'O governo egípcio vai atacar com mão de ferro aqueles que ameaçam a segurança nacional até que a estabilidade retorne em todo o país', completa.
A Aliança contra o Golpe de Estado, uma coalizão islamita egípcia que organiza a mobilização dos simpatizentes do presidente destituído Mohamed Morsi, condenou o ataque contra o ministro do Interior.
"O ataque deve ser condenado independente dos autores", afirmou Amr Darrag, um dos líderes da Aliança.
"Reiteramos nosso enfoque pacífico, que é observado claramente em cada uma de nossas manifestações", completou.
Um funcionário do ministério da Saúde afirmou que sete pessoas ficaram feridas, mas não explicou se eram civis ou membros das forças de segurança.
De acordo com o ministério do Interior, quatro policiais ficaram feridos e um deles perdeu uma das pernas na explosão.
A polícia bloqueou as estradas de acesso ao ministério no centro da cidade.
Este foi o primeiro atentado com carro-bomba no Cairo em muitos anos.
O ataque aconteceu depois da violenta repressão contra os partidários do presidente islamita Mohamed Morsi, destituído no início de julho pelo exército, um processo no qual a polícia, sob as ordens do ministro do Interior, teve participação importante.
A destituição e a detenção de Morsi provocaram uma onda de violência que deixou mais de de 1.000 mortos no Egito, em sua maioria manifestantes islamitas.
Paralelamente, os ataques contra as forças de segurança ficaram mais intensos na instável península do Sinai e em outras cidades do país.
Policial à paisana inspeciona local de explosão perto da casa do ministro do Interior do Egito, Mohamed Ibrahim, em Nasr, no Cairo. O ministro sobreviveu ao atentado, que usou uma bomba acionada por controle remoto. (Foto: Amr Abdallah Dalsh/Reuters)Policial à paisana inspeciona local de explosão perto da casa do ministro do Interior do Egito, Mohamed Ibrahim, em Nasr, no Cairo. O ministro sobreviveu ao atentado, que usou uma bomba acionada por controle remoto. (Foto: Amr Abdallah Dalsh/Reuters)
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Pistoleiros matam 10 em comunidade indígena na Guatemala

Mulher chora próximo á cena da chacina neste domingo (8) na Guatemala (Foto: Reuters)Mulher chora próximo á cena da chacina neste domingo (8) na Guatemala (Foto: Reuters)
Pelo menos 10 pessoas morreram neste domingo (8) após ser baleadas por um grupo de pistoleiros em uma comunidade indígena localizada no norte da Guatemala, informaram as autoridades locais.
O ataque aconteceu em uma loja de bebidas alcoólicas na aldeia San José Nacahuil, no município de San Pedro Ayampuc, e também deixou outras 15 pessoas feridas, segundo as autoridades.
Agentes do Ministério Público (MP) e da Polícia Nacional Civil (PNC) iniciaram as investigações para estabelecer o motivo do ataque.
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Fotógrafo relata ataques, miséria e mortes em cidade devastada na Síria

Não há o que fazer em Aleppo, e por isso os moradores que não conseguem fugir costumam ficar na porta de suas casas, sentados em tapetes ou colchões, conversando uns com os outros enquanto o ruído das bombas soa sem parar. Na segunda principal cidade da Síria, que se transformou em um dos mais sangrentos campos de batalha da guerra civil que paralisa o país há quase dois anos e meio e já provocou mais de 110 mil mortes, quase ninguém tem emprego, a maioria das crianças não consegue estudar, a eletricidade falha cerca de 15 vezes ao dia e poucos se arriscam a sair de casa durante a noite.
Mapa - Síria (Foto: Arte/G1)
Este é o cenário relatado ao G1 pelo fotógrafo brasileiro Gabriel Chaim, de 31 anos, que está em Aleppo há cinco dias. Ele deixou a mulher e a filha de apenas 4 anos em São Paulo para registrar de perto a situação no país. Entrou pela fronteira da Turquia, com a ajuda de uma organização social que distribui cestas básicas para a população e dá aulas para as crianças, já que as escolas não funcionam mais.
Parte da cidade é controlada pelo governo de Bashar al-Assad e outra parte por rebeldes que querem derrubar o ditador sírio. Separadas por barricadas, as áreas não têm comunicação entre si – “só comunicação à base de bomba”, diz Chaim –, e quem mora no bairro controlado por um lado não tem contato com parentes que estão em áreas controladas pelo outro.
São basicamente pessoas pobres, que não têm dinheiro para migrar e permanecem em uma cidade lotada de escombros onde faltam água, comida e remédios. O que há custa 700% mais caro que o normal.
O fotógrafo está em um bairro controlado pela oposição. Sua base é uma casa semidestruída por bombas, onde dorme junto com os demais integrantes da ONG em colchões jogados no chão. Não há lugar para tomar banho, e até agora ele só pôde se lavar uma vez, em outro lugar. A alimentação diária, compartilhada entre cerca de 20 pessoas, é de feijão enlatado, pão e homus, um prato típico da culinária árabe.
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  • GALERIA: Veja fotos de Aleppo feitas por Gabriel Chaim
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  • COBERTURA EM TEMPO REAL
Transporte de ambulância
Chaim se locomove pela cidade dentro de uma ambulância, em uma estratégia para não ser percebido, e sua segurança é feita por homens do Free Syrian Army (FSA, ou Exército Livre Sírio, em português), um dos grupos de oposição. Ele é sempre acompanhado por três seguranças.
As linhas de telefone estão cortadas, e a internet é contrabandeada da Turquia.
Os rebeldes – a maioria homens jovens, apesar de também haver mulheres e pessoas de meia idade – estão por toda parte, fortemente armados, misturados a moradores que caminham com filhos pequenos, tentando manter a rotina. “Só as pessoas pobres ficaram. Antes elas tinham uma vida simples, mas não passavam necessidade. Agora, sem poder trabalhar, elas não têm dinheiro nem para comer. Estão passando fome”, conta Chaim, acrescentando que as ONGs que se mantêm na cidade não dão conta de atender às necessidades da população.
Ele fez um relato em vídeo neste sábado (7) do que vive em Aleppo (veja ao lado).
Até a água potável virou luxo. De acordo com o fotógrafo, um caminhão-pipa de 700 litros que cobrava 50 centavos de dólar hoje cobra entre US$ 15 e US$ 20.
Segundo Chaim, há muitos engarrafamentos, em razão das ruas e passagens estarem bloqueadas após bombardeios. Os carros precisam passar rápido por áreas descampadas, onde costuma haver atiradores. À noite, os motoristas apagam os faróis para não virarem alvo de bombardeios, que se intensificam no período.
Ele diz que até agora não encontrou nenhum estrangeiro na cidade. Quase todos os jornalistas foram embora, segundo ele, pois ocorre agora o momento mais grave da guerra, com muitos sequestros e a segurança deteriorada.
Chaim conta que os bombeiros, voluntários, trabalham com equipamentos obsoletos e têm de lidar com um alto número de ocorrências, com incontáveis mortos. Os hospitais também são improvisados, e as pessoas morrem por falta de remédios e equipamentos básicos.
Casa destruída em Aleppo (Foto: Gabriel Chaim/G1)Casa destruída em Aleppo; maior parte da cidade
foi devastada pela guerra (Foto: Gabriel Chaim/G1)
Em uma visita a um deles neste sábado, o brasileiro diz que viveu “um dos dias mais impressionantes” de sua vida. Ele viu de longe um avião do regime do Assad atacar um carro com metralhadora. Em dez minutos, chegaram os atingidos, que eram rebeldes do FSA. “Pude registrar a chegada, o desespero do médico para tentar salvar a vida das vítimas mesmo sem recursos e acompanhei também a morte de todos. Quando o último morreu, a enfermeira me chamou, pois queria me mostrar uma coisa: era um bebê que acabava de nascer”, relata.
No palácio da Al-Qaeda
Segundo Chaim, a presença de militantes ligados à rede terrorista da Al-Qaeda em Aleppo é constante. Eles apoiam outros grupos opositores, na luta contra as forças de Assad. O brasileiro diz que a maioria deles anda em BMWs e outros carros caros, geralmente pretos. “Eles geralmente têm barba grande, usam uma bandana na testa com escritos em árabe e têm marcas na testa por se abaixarem cinco vezes ao dia para orar, como pede o Islamismo”, diz.
Escola improvisada, com ajuda de professores que nao recebem nada, estão tentando deixar a vida de crianças e adolescentes o mais normal possível (Foto: Gabriel Chaim/G1)Crianças estudam em escola improvisada 
(Foto: Gabriel Chaim/G1)
Chaim chegou a ir a uma cidade próxima para tentar entrevistar algum líder da organização extremista. Não conseguiu, mas pôde ver a movimentação na base onde eles ficam. “Fiquei assustado, porque é um palácio gigante, de cinco andares. Tinha muitas barricadas na frente e muita gente circulando armada”, relata.
Ele já esteve em um dos fronts de batalha espalhados por toda Aleppo, e deve passar mais 24 horas em outro.
Passaporte por US$ 3,5 mil
Boa parte da população fugiu da Síria e engrossa os números de refugiados da crise: mais de 2 milhões, espalhados por Líbano, Turquia e Jordânia, entre outros países, segundo a ONU. Entre os refugiados, há muitos profissionais qualificados, como engenheiros e farmacêuticos.
A presença deles preocupa os países de abrigo e aumenta a instabilidade política da região.
Tem gente voltando para cá. Eles preferem morrer em sua terra a viver morando em uma tenda"
Gabriel Chaim, sobre os refugiados
Filho de libaneses, Gabriel Chaim já havia documentado a realidade dos campos de refugiados em outros lugares do Oriente Médio. Foi isso que o levou até Aleppo: ele queria ver o que leva as pessoas a irem morar nas condições precárias onde famílias de 10 ou 12 pessoas vivem em tendas de 5 metros quadrados.
A situação é tão precária que o fotógrafo afirma haver também um movimento contrário. “Tem gente voltando para cá. Eles preferem morrer em sua terra a viver morando em uma tenda.”
Ele diz que no caso da Síria há um complicador para quem quer fugir: há cerca de dois anos, já durante a guerra civil, o governo não renovou os passaportes da maioria da população, o que os impediu de viajar para outros países. Segundo o brasileiro, quando um sírio decide atravessar a fronteira para ir a outro país pedir refúgio, não se exige passaporte deles, por conta das circunstâncias.
Mas não dá para ir mais longe e tentar reconstruir a vida. Segundo Chaim, existe possibilidade de se comprar um passaporte por meios clandestinos, mas é preciso pagar US$ 3,5 mil, quantia que quase ninguém tem hoje no país.
Distrito de Huraitan em Aleppo (Foto: Gabriel Chaim/G1)Distrito em que ele está hospedado em Aleppo
(Foto: Gabriel Chaim/G1)
Armas químicas
No dia a dia, Gabriel Chaim trabalha com fotos de gastronomia, uma realidade bem diferente da que ele documenta neste momento. Ele quer ficar na Síria por aproximadamente mais dez dias. O brasileiro diz que planeja registrar o início dos possíveis ataques americanos ao país.
De acordo com Chaim, a maioria das pessoas em Aleppo acredita que o regime de Assad seja mesmo o responsável pelo ataque com armas químicas que matou mais de mil pessoas em Damasco, apesar de o governo o atribuir aos rebeldes. Muitos na cidade dizem temer que, na hora que os EUA lançarem o primeiro míssil, Assad vá lançar uma grande ofensiva de armas químicas em todo o país.
Quero mostrar essa realidade que as pessoas só veem de forma superficial"
Gabriel Chaim, sobre motivo que o levou à Síria
O presidente dos EUA, Barack Obama, tem afirmado em diversas ocasiões que o ataque à Síria não vai ter soldados americanos "no terreno". Mas diz que os bombardeios, apesar de "limitados", são parte de uma estratégia para "mudar o regime".
Mesmo falando pouco árabe e se comunicando principalmente em inglês, Chaim diz que o fato de ser brasileiro o ajuda a ser bem recebido.
Ele diz que tem medo, mas não se arrepende de ter ido, mesmo com as constantes mensagens da mulher preocupada, dizendo que “sua filha vai crescer sem pai”. “Quero mostrar essa realidade que as pessoas só veem de forma superficial”, afirma.
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Pentágono planeja ataque de três dias contra a Síria, diz jornal


O Pentágono está planejando um ataque de três dias contra a Síria, mais intenso e longo que o previsto originalmente, informa o jornal "Los Angeles Times" neste domingo (8).
As autoridades militares americanas planejam agora um ataque intenso com mísseis, seguido por outros menores contra alvos que não sejam atingidos na primeira forte ofensiva, afirmaram fontes do governo ao jornal.
A decisão foi motivada pelo desejo do governo americano de obter um poder de fogo maior e atingir as forças dispersas do regime sírio de Bashar al-Assad.Duas fontes entrevistadas pelo jornal afirmaram que a Casa Branca pediu a ampliação da lista de objetivos a atingir para incluir "muitos mais", depois de uma primeira relação de 50 alvos.

Os estrategistas do Pentágono consideram agora usar bombardeiros da Força Aérea, além de cinco destróieres americanos, que atualmente patrulham o Mediterrâneo, para lançar mísseis de cruzeiro e mísseis ar-terra, fora do alcance das forças de defesa sírias, destaca o jornal.
O porta-aviões USS Nimitz, que inclui três destróieres, está posicionado no Mar Vermelho e também pode lançar mísseis de cruzeiro contra a Síria.
"Teremos vários lançamentos e avaliações de cada um, mas todos compreendidos em um período de 72 horas, e uma indicação clara quando terminarmos", disse ao jornal uma fonte próxima da equipe de trabalho.
A intensificação do planejamento militar acontece no momento em que o presidente americano Barack Obama se prepara para apresentar pessoalmente as razões pelas quais acredita na necessidade da intervenção, como resposta ao ataque químico de 21 de agosto nas proximidades de Damasco, supostamente executado pelo regime sírio.
Na segunda-feira, Obama concederá entrevistas aos principais canais de televisão do país.
As entrevistas, que serão exibidas à noite, acontecerão um dia antes do presidente discursar à nação, antes da votação no Senado, que iniciará na segunda-feira um debate sobre a intervenção dos Estados Unidos na Síria.
Obama deseja um ataque restrito com uma quantidade estabelecida de alvos a bombardear, segundo o jornal.
Em meio a dúvidas se a intervenção americana seria suficiente para reduzir as capacidades militares de Assad, um oficial disse ao jornal que a operação planejada seria mais uma "demonstração de força", que não mudaria fundamentalmente a situação no campo de batalha.
"O ataque planejando pelos Estados Unidos não terá impacto estratégico na situação atual na guerra, que os sírios têm bem controlada, e na qual os confrontos violentos poderiam prosseguir por mais dois anos", disse a fonte.
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15 capitais brasileiras estão entre as cidades mais perigosas do mundo


O Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Criminal do México divulgou uma lista com as 50 cidades mais perigosas entre elas 15 capitais brasileiras estão na lista . A lista é baseada no número de homicídios por 100 mil habitantes de cada cidade.

As 10 primeiras posições são ocupadas por cinco países da América Latina: Brasil, Colômbia, Honduras, México e Venezuela. 
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